ico_arrowEstrada Real

O termo Estrada Real se refere aos caminhos trilhados pelos colonizadores desde a descoberta do ouro em Minas Gerais até o período de sua exaustão. Um passeio nessa estrada é um retorno a história, é voltar no tempo dos tropeiros que chegavam em seus cavalos e adultos e crianças faziam festa com a chegada da tropeirada. Quem vive por essas bandas guarda na lembrança o tempo em que o ouro 'brotava no chão' e acolhe como ninguém quem chega a essas paragens.

São muitos os trechos que podem ser percorridos na Estrada Real e cada roteiro esconde tesouros históricos, culturais e de belezas naturais. Nessas trilhas, homens e mulheres de variada ordem buscaram espaços de sobrevivência e de produção de bens e na busca, construíram vida, memória e história.

Ir por esses caminhos é desbravar e penetrar no interior num percurso de prazer e de fuga do cotidiano. A Estrada Real, antes era um lugar que o ouro habitava, hoje é uma mina de ouro para o turismo. Tem atrações para o ecoturista, para os interessados em história, para amantes de cavalgadas e caminhadas. 

O turismo constrói um sistema de significados para as coisas que legam prazer ao viajante. E nessa construção, estabelece relações entre a vida material do passado, a paisagem e os costumes e a realidade de quem busca diversão, conhecimento, fuga do cotidiano.

Reconhecer um espaço como 'turístico' é elaborar uma construção cultural. É dar sentido e significado a coisas e a costumes de tempos diversos e de pessoas diferentes do turista. Esse processo dá forma a uma narrativa que orienta a busca de cada viajante e que antecipa os prazeres que podem ser buscados e alcançados. Nessa narrativa, visualizam-se alguns pontos, aspectos ou lugares e lançam-se à sombra outros que não se quer ressaltar ou que não foram entendidos pelo narrador.

Ao turista/viajante cabe verificar o que foi iluminado e o que foi deixado à sombra. E tirar de ambos os prazeres que seus sentidos captarem. Nenhum roteiro, portanto, antecipa o prazer e nenhuma narrativa indicadora satisfaz a necessidade de conhecer. Assim, nenhum mapa ou guia tem a pretensão de esgotar as informações ou de informar sobre tudo o que se viverá na viagem.

A experiência turística, mesmo que permeada de informações prévias, é única e é surpreendentemente construída na viagem. Não se deve abrir mão dessa surpresa. Não se deve deixar que a sedução das imagens fáceis da vida comum supere a claridade do dia, o som da noite, o odor da terra, a beleza das matas, a brisa fria dos morros, a vivacidade das pedras.

A Estrada Real deve ser construída culturalmente. Deve-se dar a ela significados históricos e preservar-lhe a memória. E grandes esforços devem ser investidos por nossas instituições para que isso ocorra. Deve-se propiciar ao turista informações e estrutura para que seja possível a experiência turística. Espera-se do turista um desmedido amor ao ambiente natural, à vida material e aos costumes de homens e mulheres que vivem na região visitada.

Abra o coração ... e pé na Estrada! 

Adaptação do texto de José Newton Coelho Menezes 

 

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